Cartas e afeto.

Longas conversas de palavras sem-face. Longas, mas duraram somente de sábado a sábado. Eis que conversas sem face e sem prudência talvez não devam ser confiadas.

Foram sem face, não sem propósito. Não foram reles distrações, palavras jogadas fora. Foram, até aquela sexta, completamente verdadeiras. Mas verdades não são verdades quando expiram.
Até o sétimo dia, aquelas palavras doces tinham coração. Aqueles olhos estavam vivos, e o improvável era real. Aquelas estradas eram mais que um sonho. Aquela primeira carta nunca havia sido escrita pra ser a última, mas foram as últimas palavras doces a serem escritas.

Desde então achei que foram doces demais. Achei que eram doces demais para a resposta que receberam, e doces demais para aquele destinatário. Mas como iriam não ser? Seria como entregar um pincel ao artista que sonhava com quadros e pedir para que não exagere, para que os quadros não fiquem bonitos demais. Nunca foram mais doces do que ela merecia, uma vez que ela me entregou o pincel. A resposta de despedida era inerente à nossa essência de tal forma discrepante, e à essência daquela semana.

A imprudência não foi um erro, estava certo em confiar. Pois é errado ser errante? Não me arrependo daquelas palavras doces, arrependo-me das palavras azedas, pois nelas estão os erros. Daquela semana, guardo apenas o costume de escrever cartas e afeto.