A mannhã cedo é muito bonita.
Parece outro mundo.
É assim todas as noites em que não durmo, dá vontade de viver aquele momento todos os dias. A luz do sol é tão bonita quanto a de um pôr do sol, só que é mais viva, e ascende ao invés de descender.
Toda vez que eu não durmo eu penso que deveria acordar na hora que eu estou indo dormir.
Serão mesmo as manhãs cedo tão bonitas, mesmo quando se acorda junto com elas?
Ou o bonito é ela vir depois de uma noite longa?
De qualquer modo, eu acordaria às 6, ou 5:30, se não tivesse o que fazer de noite, se não houvessem computadores, e se eu tivesse como escrever essas coisas em outros horários, ou se tivesse em quem despejar todas essas palavras perdidas. É claro que não conta quando se acorda nesses horários por compromisso, a não ser que se faça algo bonito ao ar livre. Imagine se eu pudesse me manter acordado deitado sobre a grama antes de Vênus se pôr de manhã. É, tudo que eu queria, ver o fim da noite e o início da manhã todos os dias.
A próxima linha é só pra quando eu resolver reler isso tudo:
Estou muito viciado em Damien Rice, ele canta e compõe e escreve tão bonito.
Aurora Tropical
Da centelha que me esperava lá fora
No fim da noite, eu agradeci muito.
Agradeci aos céus, pela noite de grande boniteza. Agradeci à lua, pela minha alma. Agradeci à terra, pela minha vida, e à venus, pelo meu amor.
Antes disso estava assistindo o céu girar 15 graus por hora.
Tão longe deve ser um bom lugar pra se perder.
Ainda não vejo nada que se possa beber. Mas, sim, parece líquido, e dá muita vontade de mergulhar.
Um dos meus primeiros sonhos de consumo é um teto de vidro.
E uma varanda em que um espelho inclinado permitisse se ver o zênite na altura do horizonte.
Mas aquela noite estava mais que o normal, mesmo. Fazia tempo que não via uma assim, desde o inverno, provavelmete. Agora era mais fácil de se perder, reconheci pouco do céu.
Mas o principal foi o meu pedido atendido, bem no início da noite.
Eu queria muito uma estrela cadente. Já tinha visto o céu não normal, mas eu queria um pouco mais. Quase pedi pros céus. Mandaram, então, o risco enrubrecido, forte, que cruzou 10º nos céus, em alguma fração de segundo. Desde então, minha noite estava feita.
Questionamento simétrico
Será que
Meu amor não é meu mesmo?
Será que
Eu não sou capaz de simplesmente tê-lo?
Será possível
A minha vida numa órbita tão distante de uma estrela?
Será impossível
Que eu quebre as leis da gravitação, e venha contra a minha maior certeza?
Será mesmo a minha maior riqueza um roubo?
Será mesmo que eu assisti aparecer?
Sou mesmo um perfeito pierrot?
Sou mesmo só de amor?
Quem hei de ser?
Quem sou eu?
Volcanos melt me down
Tá meio abandonado isso aqui.
Não tenho tido o ímpeto de registrar coisas aqui. Não significa que não as senti
Mas não vou ficar comentando minha rotina por causa disso.
Um tal de Damien Rice que me deu esse ímpeto hoje. Versos bons com melodias bonitas como "cause all i've got is your hand" e "And I can't let go of your hand", em Cold Water, e muito ". Ele parece ter uma alma bonita, por mais estranho que pareça eu dizer isso. Se for muito estranho, finja que escrevi "coração", apesar de isso ser menos significativo.
O próximo post foi escrito depois do parágrafo anterior e antes desse e dos próximos.
Não sei porquê me veio esse sentimento, foi como um amadurecimento consciente e oscilante, que você torce pra não ficar muito tempo.
Muito incrível eu ter escrito aquilo antes de ouvir isso -
"What am I darlin'?
A whisper in your ear?
A piece of your cake?
What am I, darlin?
The boy you can fear?
Or your biggest mistake?
Oh what am I? What am I darlin'?
I got years to wait... ".
Ontem eu não comentei do céu aqui, como jurei que faria. o o faço agora, em outro post.
Me deu vontade de dizer
Escrevo-te por aqui porque provei diferença que faz um ambiente de fundo, as letrinhas cinza claro, o título em azul itálico e imagens pela página.
Escrevo-te porque o meu menor tempo no msn tem reduzido muito as chances de te encontrar online. Isso traz uma espécie de saudade, mas que é tão agradável quanto aquela que nos remete à infância. Lendo teus textos e escutando a tua música - Porque ela é mais tua que qualquer outra música pode ser de alguém que o autor desconheça, e eu não digo isso por dizer - notei que não seria digno escrever-te em 1024 caracteres com um fundo azul enjoativo, não passaria a impressão certa.
Porque, depois de reler aquilo ouvindo a tua música, simplesmente tudo que eu pudesse sentir parecia menor. Me deu vontade de dizer de novo que podes contar comigo, sempre que precisares ou quiseres, e de não dizer isso como um conselho, mas como um pedido.
Porque, se diz que eu sou excessão, porque entendo, deves saber o quanto sou digno da tua confiaça. Deves saber isso, quando te reconheço em cada uma daquelas pequenas palavras da tua música. Porque, realmente eu entendo, mesmo estando nessa posição.
Aliás, isso é muito não convencional. Eu deveria ser o último a entender, como as outras pessoas não? Como há outras pessoas que neguem-te a imagem que mereces, como me dizem que não é como eu penso?
Inconsientemente, eu abandonei a lógica. Não me importava mais se tudo indicava eu não estar certo. É verdade quando digo que você foi impressidível pra eu "voltar" a notar as coisas menos óbvias. Porque a única conclusão lógica a se chegar é que você realmente não existe, e que eu sou um louco, e todos estão certos, essa imagem não existe.
Talvez fosse só mais um reflexo nos meus óculos,e eles se confudem com brilhos ofuscantes ou estrelas cadentes.
Dá muita raiva quando se pensa demais, e se descobre que eram mesmo só brilho nos óculos.
Será?
Bom, não parece fazer diferença pra você, essa possibilidade.
A Lua crescente a quinze graus e seus efeitos colaterais
Me sinto como uma peça de material fosforescente, que acaba de receber muita luz.
O toque lua crescente me trouxe de volta uma espécie de barramento, uma superfície de contato maior com as coisas bonitas. Mais toque. Até a respiração parece estar mais rica.
Muito bom a ver sobre um lago, e cortada por folhas de várias árvores acima. Então decidi que andaria um pouco, pra a ver inteira. E ela me aparece ao lado da minha árvore favorita, e expulsa uma nuvem quando pouso a retina sobre ela. Grande, forte e baixa, chegou a ser ofuscante.
A lua sempre me fez olhar o céu, desde pequeno. Antes de conseguir falar os "R" palativos, eu havia inventado uma música pra ela. É provável que tenha demorado a prestar atenção nas estrelas por culpa dela, e do meu caráter que concentra mais atenção em um único interesse do que em vários menores.
Mais tarde, ela me ensinou a valorizar cada pêlo erguido, cada sensação de falso frio. Me ensinou a fechar os olhos, cerrar os punhos vazios, encolher os ombros e juntar os braços. Tudo espera até que termine, segura-se a expiração, o pensamento. Porque só então podemos dizer "This moment is etenity."
I'll bleed forever
Então, vem o veneno.
Do lugar que menos se esperava, do poço da água mais límpida e pura. Desce como gelo, porém mais frio, e não degela nunca. Me dá vontade de nunca ter bebido de lá, me dá vontade de me jogar na água mais gelada, e ver se pára. E quase se entende como é possível cortar o próprio peito com uma faca.
Da água comum, não viria isso. Nunca. Não tão forte.
E agora, vale mesmo a pena, a felicidade, o prazer instantâneo? Agora é hora do martírio prematuro.
Dentre tantas damas
Tão vasto é o cosmo, tão permeado de mistérios e maravilhas.
Na turbilhante grandeza do espaço, o tempo pode ser facilmente esquecido...
Mas mesmo que se passe dias, meses, anos ou séculos não me esqueço da sua inebriante beleza, fulgurante como o brilho de um meteoro que viaja dentre as estrelas.
Em um súbito clarão atordoante de luz, eu posso ver você...
Senti-la ao meu lado, um manancial de ousadia, chamas e deleite.
Tão jovem, tão adorável, transbordante de fugaz e incomparável formosura.
Ao seu lado o meu amor flue, revolvendo-se como a uma estrela na noite...
Tão cheio de vida, que é impossível capturá-lo, contê-lo sem ao menos senti-lo ou vê-lo brilhar.
Dentre tantas damas que conheci... jamais encontrei mulher tão linda na forma...
E tão adorável de espírito.
Quando tenho você só pra mim, sei que há muitos milagres no universo...
Mas por este tênue instante, na eternidade do espaço...
Posso sentir o amor, com sua força inesgotável a percorrer as minhas veias...
Revolvendo todo o meu ser...
E meu coração com os seus batimentos descompassados e incansáveis...
Ditam em um ritmo frenético...
Seu nome.
-Marcio Andrey
Ode sobre uma grega
As melodias ouvidas são doces; mas as não ouvidas
São ainda mais; portanto, suaves flautas, continuem tocando;
Não para o ouvido dos sentidos, porém, mais gratas,
Toquem para o espírito cantigas sem som;
Belo jovem, sob as árvores, tu não podes abandonar
Teu cnato, e nem essas árvores podem jamais desnudar-se;
Ousado amante, jamais, jamais podes beijar;
Embora te aproximes da meta - no entanto, não te lamentas;
Ela não pode fenecer, embora não tenhas tua satisfação,
Para sempre a amarás, e ela será bela!
-John Keats
Janela sobre o amor
Antes da existência dos homens, e antes do tempo ser tempo e palavra dos homens, haviam seres muito parecidos, mas com uma diferença fundamental: Eles nunca atacavam uns aos outros. Sempre agiam juntos, e raramente deixavam alguém pra trás. Sequer precisavam de nomes, tanto pra eles quanto pras coisas a sua volta. Também é dito, em alguns livros antigos, que viviam pra sempre. Com isso unido a inteligência que seus descendentes conservaram, prosperavam e se desenvolviam rapidamente.
Um dia num fim de tarde apareceu uma estrela, e lhes ensinou o amor.
Ventos sussurraram em seus ouvidos as palavras de cortesia.
Por um momento, ficaram ainda mais unidos.
Logo as palavras doces perderam o valor. Então eles aprenderam outras formas de demonstar o amor.
Parecia que só agora o mundo deles estava completo. Talvez fosse verdade. Porém, eles nunca haviam sentido dor. As dores da perda, da traição e da inveja.
Ventos sussurraram em seus ouvidos as palavras de agressão.
Então não mais estavam pra sempre unidos.
As palavras hostis perderam o valor. Por isso, alguém pegou das ferramentas de caça e investiu contra a fonte da sua dor.
Então tudo ruiu.
Mesmo assim,
Até hoje a estrela brilha no céu, às vezes pelo crepúsculo, às vezes pela aurora.
Até hoje os ventos da manhã e da tarde nos acariciam com cortesia.
Até hoje os ventos da noite nos são hostis.
Até hoje os homens matam e amam.
Sobre os astros mais brilhantes do céu
"If the Sun refuse to shine
I would still be loving you"
But if Venus and the Moon didn't rose...
I do not know for certain
Shooting white pixel

Então, o lindo traço azul-branco-claro riscou o céu.
Mas não era o céu, de verdade.
Ele olhava pra uma projeção do céu sem nenhuma nuvem, com legendas das constelações e informações sobre Marte e Gêmeos no canto.
Mas o reflexo foi o mesmo.
Sabia que a probabilidade também era.
O vento também. Só um pouco menos intenso.
O desejo foi óbvio.
É óbvio.
Logo depois ele se sentiu meio idiota.
Em seguida, de idiota passou pra um imperfeito muito bonito, puro, quase inocente.
E continuou brincando no céu de pixels.
Um dia acordarás

"Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,
A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.
E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:
- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…"
M. Q.
How insensitive...?
Tom Jobim e Norman Gimbel tentando me convencer disso.
How insensitive i must have seen...
Hum, será? Pode ser. Posso não ter tido tato. Posso ter avançado sobre um buraco, ou no mínimo uma poça. Posso não ter feito como deveria.
Raios, insensível é não se sentir bem.
Isso foi um ótimo argumento.
Espero que continue sendo.
Mas vai continuar sendo, sim. Ou muito pouco do que eu acredito é verdade.
Verdade. Incrível, toda hora me deparo com essa palavra. Verdade.
Qual a diferença? Verdade...? Veritas ...!
Não é nada! Está tudo igualmente submetido ao nosso cérebro. Que importa?
Verdade... A maior ilusão do ser humano.
Às vezes me dá vontade de que só existisse a verdade.
Nossa, eu sou incrívelmente contraditório. Não, na revisão eu apago esse fim medíocre de questionamento da existência da verdade.
Se eu realmente fizer uma revisão... Não sobrará quase nada a ser publicado.
Acho que isso é bom. Me prova que Tom Jobim não está certo, me prova que eu não descarto a maioria das coisas que me são possíveis sentir. É. Ou melhor, não é, não sou, I haven't seemed insensitive.
Bom, pelo menos agora eu termino com o mesmo tema.
Estudos sobre o amor em si menor
Quando um pouco menor, eu já me perguntava se eu realmente conheceria, não parecia nem um pouco fácil. Mas acho que essa pergunta já é um sintoma positivo.
Deve ter ficado claro, mas eu vou explicar mesmo assim: Não falo de qualquer faceta de amor. Falo daquele amor simples, complexo, sutil e definido. Falo daquilo que eu duvido que aconteça entre pessoas do mesmo sexo. Falo daquilo que não vai além do amor maternal, não obstante o transcende.
Especulo, pelos meus parcos 16 anos, que essa seja uma convergência planetária. Ou um pouco menos ambicioso - racial. Porque todos os seres humanos, ou talvez ao menos aqueles que alcançam tal ponto de "entendimento" devem ser capazes de sentir tal ... coisa tão difícil de verbalizar.
Não suficiente minha audácia anterior, me proponho a mais uma. Fazer aquilo que alguns consideram reservado aos poetas e artistas - (in)definir o amor. Saibam que não me incluo em nenhum dos 3 grupos citados no período anterior. Sou só um caçador de palavras, o mérito não é meu se às vezes elas se deixam ser pegas tão facilmente.
Alguns dizem o acompanhar dor, sofrimento. Não concordo nem um pouco, mas reparo uma relação: quando se sente uma dor muito intensa, a um ponto que parece maior que sua capacidade, se tem a impressão que ela nunca vai acabar. O mesmo se aplica ao amor, que, quando se trata do amor transcendente que esse texto trata, sempre parece que sobrecarrega o cérebro humano. Também, sempre que se sente uma dor tão forte como nunca se sentiu antes, digna de contos horripilantes, não se acredita que vai acontecer outra vez. No amor, esses contos horripilantes são um pouco mais agradáveis.
Minha cabeça cede à dor tênue sobre meus olhos, e eu deixo isso inacabado, pra, quem sabe, terminar depois - o que é muito improvável. Vou lá fora ver se me curo com a luz tênue da lua.
Sobre o merecido descanço para a face.
Ando cansado de sorrir. De apertar os olhos, e respirar mais fundo. De carregar um par de óculos sobre o nariz. De me esforçar pra expressar o inexprimível.
Meu rosto merece um descanço. Merece um último sorriso, antes disso. Daqueles verdadeiros, sorridos com meio rosto. Merece dizer umas palavras bonitas, e ter uma recompensa. Merece repousar no teu ombro, ou descançar em teu colo.
Sobre a grandeza dos sentimentos.
Um dia desses me disseram que não se pode medi-los, e que não há fração deles.
Ora, se os homens conseguem medir a distância das mais longínquas estrelas, eles podem medir meu amor.
Me perguntariam, então qual seria a medida. Sem titubear, responderia: múltiplos da velocidade da luz ou anos-luz por segundo, claro.
Já é tempo de chuva.

Afinal, já é primavera.
Hoje veio com ares do passado. Ares de chuva sobre pedra, cheiro de terra molhada. Hoje me trouxe lembranças de quando Teresópolis ainda era toda enfeitada com aquelas pedrinhas no lugar de asfalto. Quando aqui eu vivia o frio. Quando aqui eu vivia a minha infância verdadeira, sentado em escadas ou brincando perto de árvores cheias.
Hoje choveu. Incessantemente. Por força de sorte, eu não estava com o guarda chuva que nunca esqueço em casa. Mas hoje havia esquecido. Hoje, bendita chuva, bendita cortina dágua e vapor rodeando e balançando árvores e postes. Muito bom ter esquecido o guarda chuva.
De outra forma não sentido a água gelar meu rosto, meus braços. Tirei os óculos para deixar a água lavar minha fronte. Eu pude fechar os olhos a maior parte do tempo. Minhas pernas me levaram, conheciam o caminho. Caminho que hei de trilhar outras vezes de olhos fechados. Benditas pernas que não me deixam cair mesmo de olhos fechados sob a chuva. E era como se a chuva não as instigasse, só caísse sobre meus braços e face. Meu rosto e cabelo pingando, minha roupa quase seca.
Agora entra um vento frio, enquanto a chuva ainda lava as pedras que não foram cobridas por asfalto. As nuvens me tiraram a ilusão de ter com Vênus pela manhã, mas me trouxeram de volta o frio que eu clamava. E me lembraram que eu ainda hei de viver o frio, ainda hei de pegar chuvas no rosto, e que enquanto o sertão não virar mar, eu voltarei a Teresópolis.
Quartos de hotel são iguais
Dias são iguais
Os aviões são iguais
Meninas iguais
Não há muito o que falar sobre o dia
Não há do que reclamar
Tudo caminha
E as horas passam devagar
Num ônibus de linha
Passos no corredor, alguém se aproxima
E uma voz estranha diz: "Bom Dia"
Posso pedir os jornais
Pedir o jantar
Ligar pra tantos ramais
Ninguém pra falar
Sobre o vermelho que abre este dia
Tudo está no lugar em que não devia
O mundo sai pra trabalhar
Enquanto eu abro a água fria
Um estranho no espelho
Eu quase nem me conhecia
E uma voz estranha diz:
"Bom Dia!"
Here comes the sun
Here comes the sun
I say i'ts alright
i'ts alright
Impressões mais profundas
É espantoso.
Pela primeira vez, eu posto algo que eu realmente acho necessário.
E justo agora que eu hesito. Talvez porque não esteja acostumado a simplesmente publicar as minhas impressões mais profundas. Era justo esse, o assunto do post. Minhas impressões mais profundas. Aquelas que vêm de filmes realmente bons, de músicas realmente boas, e de textos realmente bons.
Não necessariamente bons em aspectos menos irracionais, como sucesso de vendas. Bons em despertar ...(Despertar? Porquê despertar? Há de haver o despertar de muitos sentimentos que eu nunca senti antes. Eles realmente só foram descansar, e então voltam, depois? Será essa a maior prova da existência de vida antes da vida, e, creio eu, conseqüentemente, vida após a morte? )... despertar sensações incríveis. Daquelas que arrepiam, literalmente. Melhores ainda aquelas que não se sente completamente, e lembram o oceano, quando as montanhas te fazem um pequeno desvão para vê-los. São as que dão vontade de já ter vivido realmente ela, ou ainda de estar vivendo no momento. Então se espreme os olhos, mesmo que a origem seja visual, fecham-se os olhos, e se inspira lento e profundo, e depois se esquece de expirar por um tempo. Talvez pra não deixar o sentimento escapar: nem pelos olhos, nem pela respiração.
Mas ele escapa. Se esconde entre os outros sentimentos e sentidos e sai à francesa. E no final, nem deu tempo de oferecer um cafézinho.
E no final desse post, eu nem falei sobre o que pensei em falar no início.
Pelo menos eu falei sem precisar pensar.
Uma ode ao nosso sacrifício
Algo me levou a pensar que cada momento bom da minha vida é devidamente compensado.
E, sem titubear, pensei: Vale a pena.
Isso é uma visão um bocado pessimista, provavelmente irreal. Mas é uma boa reflexão. Realmente Pagaríamos o preço pela nossa felicidade?
Eu não tenho dúvida. Me submeteria ao que fosse necessário.
Como será o meu martírio pela felicidade?
Sol de Bronze
E alto no céu, o sol de bronze. Vem como castigo para todos que se omitiram enquanto um resquício de matas jovens era destruído pelo fogo humano.
O único luto que se vê é o das calçadas cobertas pelas cinzas trazidas pelo vento. As calçadas sentem o calor do sol de cobre e das nuvens cinzas de fumaça. Sentem falta do frio do inverno. Agora, só chovem cinzas.
Que o Sol e a Terra nos perdoem, sempre há momento pra redenção. Que não seja tarde de mais.
As Botas de Duzentas Léguas
Ventos do campo trazem boas novas.
Companheiros de longa data tomam estrada.
Vêm festejar conosco a distância que nos torna mais próximos. Como diz Brás Cubas, nada como a felicidade barata do retirar de botas apertadas.
O Desígnio do Sol e da Lua - Le Croisade - III
A luz dourada sobre o oeste logo se desfez, oculta pela cortina de matizes púrpuras e azuis que persistiu até o fim do crepúsculo. Havia sombra de outras divindades menores praqueles lados. Algumas delas talvez nunca seremos capazes de sentir. Nem são todas tão raras. Algumas tão banais e sem propósito que parecem indadequadas àquele domínio de incomum boniteza.
Havia uma prova de que a luz de Deus também brilha por aqueles lados. Ainda que subjetivamente, ainda que sem manifestações mais claras, ainda se sente o calor do Sol, forte, até porque, não há nada que viva sem isso. Só cogumelos. Ainda que não fosse uma luz tão visível e real quanto aquela que traz vida às florestas verde escuras, era uma luz que parecia estar dentro daquela terra, iluminando somente o invisível. Como um cristal protegido por espelhos. E a esperança é que haja alguma entrada de luz pra esse cristal.
Esse era o desígnio divino para o Arauto.
Ele devia se tornar capaz de projetar toda a luz divina sobre aquela terra. Trazer aquilo que seus habitantes só haviam experimentado em sonhos. Ele era o Arauto da Luz. Não sabia se os Maartonenses acreditavam mesmo na intervenção de Deus na realidade. Sequer sabia se acreditavam nele. Contudo todas as previsões negativas de Mury davam errado. E, se acontecessem, ele resistiria, sem perder a postura herdada de seu sangue nobre. O arauto não desistiria enquanto restasse luz em seu coração. Ele sempre sentia que essa luz é infindável.
Tocado pela Lua - Le Croisade - II
O Arauto austero ainda estava sentado. Mas não chegava a ser um paladino de triste figura, apesar da presença de seu fiel escudeiro.
Quem nunca o viu diria que a chuva, o ruído e a bebida trescalante o haviam deixado louco. Quem pensa que o conhece, diria que é melhor não o abordar no momento. E quem realmente o conhece, teria vontade de se juntar a ele. Debruçado sobre uma mesa, sem nem assim perder sua postura, ele olhava em direção à uma janela grande, um rude buraco na parede virado para oeste, de onde ventava uma brisa que parecia indiferente à chuva no sentido contrário.
Ainda se via luz naquela direção. Ainda se via da luz dourada do Deus Sol em direção à Maartotanaiatt. Era uma luz subjetiva, quase imperceptível, confundida com estrelas comuns e brilhantes que se formavam sobre aquela mancha azul violeta sob o manto da chuva no canto de um céu já enegrecido.
Tudo acontecera muito recentemente. Ele se descobriu o Arauto na a última lua cheia, mesmo assim, era como se tivesse sabido disso sua vida inteira. Ainda se lembrava do frio, condensando sua respiração e tomando conta de seus braços nus suspensos em forma de arco em direção à lua forte e quase ofuscante. Abandone o calor terrano, ele pensava. Quando realmente sentiu e compreendeu a força do Sol incidindo sobre sua carne fria, aprendeu a aguentar o frio.
Então ele aceitou o chamado.
Seria como a Lua.
Refletiria a luz
para aqueles na sombra
quando fosse necessário.
Seria como a Terra.
E com o calor do Deus
protegeria a todos
do frígido universo.
Seria como a Lua.
Aprenderia como
acender a luz do Sol
e a contemplar seu brilho.
Seria como a Terra.
E só com o brilho gélido
alvo e puro da Deusa,
poderia curar todos.
Antes da chuva.- Le Croisade - I
O ruído da chuva não é tão poético sobre telhas baratas.
Ainda está de dia, mas bem escuro. Ele espreme um limão sobre um copo com alguma coisa de cheiro forte. Ele não está feliz com a chuva. Mas está, mesmo assim. Há tempos que não chovia. O tempo bom já tinha agilizado sua viagem o suficiente. Ele ainda precisava de tempo pra pensar. Estranhamente, ele parece não estar molhado.
As telhas da casa continuavam a chiar. Era como se ele não devesse estar ali.
Como havia dito Mury, o escocês, ali era um bom lugar. Não eram todos os moradores da região que hospedariam estranhos. Mas todos pareciam ter sentido a bênção do Senhor na altivez daquele homem distante que não se molhara na chuva.
Belong and don't be long
É verdade. Deve haver um lugar. Não é possível
Que as pessoas vivam só de hoje. Que as pessoas vivam só de Terra.
Um lugar. Where the lonely people belongs. Aonde as palavras brotam, como se evocadas. Aonde nada importa mais do que sentir. Aonde o tempo não precisa ter sentido, e você pode ver rastros de aurora e pôr do sol no mesmo horizonte.
Lá, você pode, através de saltos sobre montanhas de cumes nevados ou vôos sobre florestas de carvalhos no outono, encontrar qualquer utopia. Ilhas inexistentes de telhados vermelhos e colunas de mármore brotam sob cascos de navios. Planícies viram cordilheiras com obras maias. Montanhas desmoronam dando lugar a fortalezas de confecção não humana. O céu pode ser vermelho, e o solo azul. Luas podem girar umas sobre as outras. Planetas têm mais de um sol, e "Binary Sunset (hologram)" ecoa de lugar nenhum. Micromacrouniverso dentro de cada um.
All the lonely people
Where do they all belong?
Havia de estar chovendo agora.
Eu não tenho dúvida disso. Havia de estar chovendo. Uma chuva quente de inverno, daquelas paradoxais. Tenho saudades de chuvas assim. Talvez porque nunca tenha visto uma dessas.
Sinto falta do cheiro de chuva. Uma vez me disseram que era na verdade cheiro de ozônio, mas pra mim ainda é cheiro de terra molhada. Uma das coisas que eu mais gostava quando vim morar aqui.
Sinto falta das manhãs com vapor saindo do lago. Sinto falta de neblinas. Sinto falta de frio.
Nós não temos mais os mesmos invernos.
Agora não durmo mais.
Pelo menos não como estava acostumado
Não tanto, e com tanto empenho.
E agora eu deito a cabeça e estou calmo
Agora eu deito e sou acariciado pelo ar frio da noite.
Talvez eu possa dizer que durma melhor.
O desconhecido chamado ar à minha volta
Agora é bem vindo.
Agora eu acordo e agradeço
pela perfeição das ondas sobre a água
E sinto dois sois me aquecendo de manhã.
A lua passou pela minha janela.
E eu demorei a notar. Estava me olhando, de costas. E só foi embora depois que eu notei.
Devia estar querendo que eu notasse a proteção. Ou simplesmente me conceder a bênção pros olhos.
Deve ter notado minha ausência. Não a fitava mais tanto, não a cumprimentava no início da noite.
E o fazia pra uma estrela, no fim da tarde. Agora não acho mais a estrela. Mas a lua veio me procurar.
Fecho os olhos para ver.
Olhos velhos não enxergam mais do que todos vêem. E eu começo a sentir, um sussuro da boca da terra. Para os navegantes com desejo de vento, a memória é um ponto de partida. Enquanto o sol se mantém sobre minhas costas nuas, eu não sinto mais frio. E então é só a terra molhada sob meus pés e a brisa que me faz vivo. Só nesse momento eu posso dar um passo a frente, como um salto, e me desprender de mim mesmo.
Ventos do sul que deveriam vir do norte
Ventos de inverno não sopram.
Ventos de inverno fluem, e são, e estão
são essencialmente mais sólidos e ao mesmo tempo mais subjetivos
e me parecem não virem certo pra mim.
Todo o magnetismo da terra me indica que estou do lado errado
tudo gira inverso pra mim
E eu aprendo a ver espelhado, e vejo o norte no sul
E vejo que ainda não posso voltar pra casa.
Das nuvens vermelhas
Elas vêm no horizonte. Se não as vêem no momento certo, elas desaparecem.
E se olham pra outro lado, elas não estão mais lá.
Alguns contestam a sua existência. Outros têm certeza da sua beleza momentânea.
Cada molécula do tão importante para nós H2O não atinge a plenitude antes de ser iluminada por um sol vespertino e de se aproximar à imagem de seu elemento contrário, segundo os antigos alquimistas.
Mal agouro, alguns dizem. Pois eu digo bênção. E digo que não é vivo aquele que apreciou poucas delas.
Sua boniteza pode ser singular a cada segundo, a cada pessoa, a cada cenário. E elas flutuam. Poucas coisas são tão mágicas. Massageam a retina daqueles que realmente vêem.
Hey, look! My own bridge to Terabithia!
http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=18227248475514644345
É bem simples pra ter uma idéia sobre isso, é só não ser muito egocêntrico. Ando descobrindo o quanto sou transparente. Espero que isso não me impeça de ser profundo.
Me veja sem olhar. Ouça minhas palavras e meu tom sem a minha voz. Ouça meus passos, me veja olhando pra nada. Olhe nos meus olhos e tente ver algo mais que seu reflexo. Ou não.
Ouvir Beatles também pode ajudar bastante.
Without going out of my door
I can know all things on earth
Without looking out of my window
I can know the ways of heaven
The farther one travels
The less one knows
The less one really knows
Without going out of your door
You can know all things on earth
With out looking out of your window
You can know the ways of heaven
The farther one travels
The less one knows
The less one really knows
Arrive without travelling
See all without looking
Do all without doing
--
I’ve got a feeling, a feeling deep inside
Oh yeah, Oh yeah.
I’ve got a feeling, a feeling I can’t hide
Oh no, Oh no, Oh no,
Yeah I’ve got a feeling.
Oh please believe me
I’d hate to miss the train
Oh yeah, Oh yeah.
And if you leave me I won’t be late again
Oh no, Oh no, Oh no.
Yeah I’ve got a feeling yeah.
All these years I’ve been wandering around,
Wondering how come nobody told me
All that I was looking for was somebody
Who looked like you.
I've got a feeling
That keeps me on my toes
Oh yeah, Oh yeah.
I've got a feeling
I think that everybody knows
Oh yeah, Oh yeah.
Yeah I’ve got a feeling.
Ev’rybody had a hard year
Ev’rybody had a good time
Ev’rybody had a wet dream,
Ev’rybody saw the sunshine
Oh yeah, Oh yeah, Oh yeah.
Ev’rybody had a good year,
Ev’rybody let their hair down,
Ev’rybody pulled their socks up,
Ev’rybody put their foot down.
Oh yeah, Oh yeah, Oh yeah.
Macacos Desumanos
De volta à ativa. Acho que a falta de tempo que voltarei a ter me incentivou a desperdiçar algum tempo aqui.
Como disse Lennon, "time you enjoy wasting, was not wasted".
Li alguma coisa em algum lugar qualquer onde havia algum enleio em relação à violência dos macacos de hoje em dia. A primeira vista, violência essa parece repugnante, e sua origem é atribuída a outras raças que não os macacos. Discordo plenamente.
Falarei um pouco, não nessessariamente com palavras minhas à respeito desses "macacos".Primeiramente, são uma espécie extremamente convencida de sua inteligência e superioridade. Ou, no mínimo, tenta se convencer disso de várias maneiras. Algumas com bases "Científicas", que são as inventadas pelos considerados mais loucos dos macacos. Outras com bases em contos sobre pessoas que separaram águas (literalmente!) e chuvas que inundam um planeta inteiro. Mas não são tão superiores. Principalmente no quesito "Humanidade" (É um substantivo que criaram para elogiarem a si mesmos). Diria que qualquer outra espécie é tão humana quanto eles, ou mais. Pelo menos segundo o que qualquer um deles diria que se trata de humanidade como adjetivo.
Como qualquer outra espécie, esses macacos fazem tudo pra que seus genes prevaleçam sobre os dos outros. Sejam esses os genes de um bando de macacos, ou cada um deles. Mas esses macacos são capazes de coisas um pouco maiores do que dentadas ou uma forte atração do sexo oposto para destruir os genes alheios. E eles fazem tudo pela prevalência de seus genes.
Da mesma forma que os outros animais em busca de alimento, as outras plantas em busca de luz, as bactérias em busca da reprodução - da mesma forma que os vírus, escorpiões, barbeiros, mosquitos, cupins, micoses, mofo e outros que os macacos não gostam muito - os seres mais desumanos do planeta também prejudicam outros organismos para defender seu "sangue". No caso, destaco as ofensivas diretas a membros da mesma espécie. A maioria dos seres vivos defente suas fontes de alimento com unhas e dentes, literalmente. Não é de se espantar que seja assim também com os macacos.
Note a semelhança entre um grupo de assaltantes em volta de carros num sinal com chacais circundando um bando de búfalos numa fonte. E a reação dos búfalos e dos proprietários de carro também se assemelha, com ofensivas para com os "chacais".
Li em algum lugar que as abelhas são um exemplo pra humanidade. Não diria um bom exemplo, mas com certeza são um exemplo em alguns lugares. "Todos por um! Nos matemos, mas que não morra a rainha!"


