Verdade e Sonho

Sonho, sonho, sonho...
Verdades voláteis, viagens
Tortas, e ao término, tristes todas.

Vida, vida, vida...
Chuva, chão, choque, cheiro
Reles realidade ruidosa
Sublime o suficiente sem sonho?

Sonho, sonho...
Será somente sonho e sono simultâneos
Desisto das doidas, distraídas decisões
Em vão, vistas veladas a venerar.

Vem, volte, vulto de Vênus, no vento das
Noites, nutre-me de névoa e nuvens
Conceede-me o colo, cobre-me de carícias
Intempestivas; incomparáveis por inexistentes
Íngremes itinerários - imaginários, irreais.

Vida, vida, vida.
Meras mentiras místicas meu
Inato ímpeto inocente me impõe.

Cartas e afeto.

Longas conversas de palavras sem-face. Longas, mas duraram somente de sábado a sábado. Eis que conversas sem face e sem prudência talvez não devam ser confiadas.

Foram sem face, não sem propósito. Não foram reles distrações, palavras jogadas fora. Foram, até aquela sexta, completamente verdadeiras. Mas verdades não são verdades quando expiram.
Até o sétimo dia, aquelas palavras doces tinham coração. Aqueles olhos estavam vivos, e o improvável era real. Aquelas estradas eram mais que um sonho. Aquela primeira carta nunca havia sido escrita pra ser a última, mas foram as últimas palavras doces a serem escritas.

Desde então achei que foram doces demais. Achei que eram doces demais para a resposta que receberam, e doces demais para aquele destinatário. Mas como iriam não ser? Seria como entregar um pincel ao artista que sonhava com quadros e pedir para que não exagere, para que os quadros não fiquem bonitos demais. Nunca foram mais doces do que ela merecia, uma vez que ela me entregou o pincel. A resposta de despedida era inerente à nossa essência de tal forma discrepante, e à essência daquela semana.

A imprudência não foi um erro, estava certo em confiar. Pois é errado ser errante? Não me arrependo daquelas palavras doces, arrependo-me das palavras azedas, pois nelas estão os erros. Daquela semana, guardo apenas o costume de escrever cartas e afeto.

Noite do alvorecer

Tateando folhas de capim
Folheando bonitas palavras
Era mesmo uma busca sem fim
Por ela, das íngremes estradas
E da névoa.

Estradas e sonhos, reais e sem fim
Olhares depreocupados e simples
Momento de vida pros dois, enfim
Aurora e sangue e braços quentes
Sonhos, vida.

Ora, logo tu me trarás tudo isso
Lembre-me de teu nome, sem falta
Quando nos encontrarmos, em outro sonho
Esquecerei teu nome, mas não as pedras
E os sorrisos.

Versos e cabelos brancos

É verdade então, amigo
Com aquela voz de luz
Ela quer roubar meu silêncio?

Diga-me, posso não me preocupar?
Outra vez simplesmente ser?
Depois de tantos insucessos,
Quem me garante o valor da verdade?

Acalme-se, jovem. Seja quem for,
Será a pessoa certa, saberá como agir.
Tudo será como deve ser, sempre.

O senhor é bonito e saberá o que fazer
Seu silêncio lhe fará escutar
E seus olhos seguirão seu coração
Não se afobe, jovem. O caminho é seu.

Como tem tanta certeza
Se não foi assim com você?
Seu erro pode ser o meu também?

O senhor também é bonito, então
Não soube o que fazer?
Tenho eu mais silêncio e olhos
Que você, que é tão sábio quanto serei?

Não, garoto. Pensas que errei
Só porque tenho velhice em meu rosto,
E não tenho alguém ao meu lado?

Quem erra agora é você.
Meu silêncio foi apurado, meus olhos
Souberam me explicar aos outros
E eu fui feliz, pra quase sempre.

Buscando equilíbrio químico

Vê? Me sinto tão perdido
:Quanto um elétron numa explosão atômica.
Sempre vejo de relance,
:Voando, alguém de carga positiva;

Sob a tempestade louca,
:Tantos fótons altamente energéticos;
Portos parecem seguros
:Porém sempre são atirados pra longe.

Eis que me aproximo
:De um Deutério perdido sem elétron;
Coisa rara no planeta
:E torço pra cair em sua eletrosfera.

Será só mais uma nuvem
Que vem e vai logo depois de notarmos,
Mas antes de nos notar?
Será que enfim terei meu equilíbrio?

Grand finale da noite

Vê? O sol logo nasce;
Já sobe a encosta.
Estrela D'alva, vá-te:
Encontra a lua posta.

O mundo abre as pálpebras
Co'a luz e o cantar dos pássaros.
Apagam-se Candeeiros;
Aos poucos, secam as pedras.

De amarelo a manhã enche
E ainda há nuvens rubras;
Pardal, no canto capriche:
Espalhe som co'asas destras.

Do espelho d'água a bruma
Logo esvazia e some;
Melhor não há em suma
Qu'esta manhã sem nome.

Do vinho que guardo no alto do armário

O meu tempo brinca
E me faz de tolo.
Mais um ano começa
E quebra
os sonhos

Meus dias melhores
Ficam pra outros tempos
Meus tempos melhores
Ficam pra outros dias
Meu receptáculo de branduras
Continua a só extravasar.

Mas minha fibra é forte
Minha raiz é grossa
Meu coração áureo
E sigo a sorrir.

Quem é esse eu?

Dentre amigos de outros, desconhecidos
Eis que surge
Quem penso ser eu
Há 2 anos atrás.

Espero que eu tenha o meu destino
Alcance meu ápice
Sinta minha dor
Dos grandes dias.

Será que os ventos chegarão para eu?
Serão os sopros
Fortes o bastante?
Foi bem intenso em mim.

...Verão!

Agora me lembro do dia mais bonito do Sol
Aquele em que ele tocou a Lua nos céus
E estávamos em qualquer lugar olhando bonitos

E eu não sabia praonde apontar o filtro
Olhar pra mim e você ou pro Sol e a Lua
E os próximos 9 verões serão só de sóis comuns

Primavera

A flor Vermelha brota da árvore seca
salva o fim do inverno
O Amarelo das manhãs nos aquece e seca
quão lindo pode ser o dia
Brumas de aurora mais breves e claras
o frio a Primavera derrete

Inverno

Quebrem-se todos!
Vidros não fiquem inteiros
Já tenho suficiente
dentro de mim
E eles só me remetem
o quão forte é a
Luz. Luz
não quero mais
Que não seja mero reflexo
Que não seja pura atração
Que não seja doce e rubro

Outono

Por fim, estou todo no chão de novo
O chão é sujo, e o sol não é pálido
Ofusca e brilha
em tudo e alguns olhos.

A luz da lua não queima os olhos
nem precisa de filtro solar
A lua é junto e branca
O sol é quente e intenso
O sol não ilumina as noites
O sol não desaparece nas nuvens
O sol sopra os ventos mais fortes

Verão

No princípio, era a luz.


Depois de eu me queimar com o meu prisma
Eu finjo que o deixei se quebrar
As voltas da lua e da terra e da mente
Não andam em círculos e nunca voltam
Mas balançam minha cabeça e minha alma
como um globo de neve E eu fico a ver
os grãos descerem e o chão ficar coberto

pra me certificar que esqueci a luz acesa

Às vezes a gente acha que não sabe nada. As nossas teorias tão perfeitas e sábias perdem o sentido.
Às vezes parece que toda a nossa força e resistência e segurança são tão estáveis quanto nossa respiração.
Nessas horas, a nossa inteligência não vale mais nada. E sabemos que, nos dias melhores que virão, nos sentiremos tolos por agora.
Nesse momento inesperado, o irracional vence. Levantamos sua bandeira, e torcemos pra que essa não seja a última.

Me pergunto como será, então, essa última vez. Torcemos pra que esqueçamos a luz acesa.
Entre sonhos bonitos e perfeitos, tristes e heróicos, simples e brilhantes, vem um mais humilde:
Sonhamos com voltar aqui, como quem só pretende apagar a luz, e descobrir tudo de novo, sentir tudo de novo
E quando esse momento de incerteza está prestes a acabar, esse sonho parece só mais um devaneio entre todos os outros.

Eis palavras que são mais dignas de serem achadas que muitas que vieram pra cá:

Bertoche
- No post eu tava pensando em falar sobre as sensações mais profundas que eu já tive:
As provenientes de algumas palavras suas, ou da lembrança do seu rosto, ou de coisas que eu ouço em músicas que me lembram você
Coisas que me lembram de quanto já me é bom, você, e eu poder admirar sua verdadeira beleza

Ela
- =)
haha, escutar isso tb me da uma vaga sensação
q parece com a q a gente tava comentando
a mesma coisa eu tenho com ele
mas n só com ele

Bertoche
-Bom saber que não é só você que me causa esse tipo de coisa

Réquiem for a dream

Eu perdi o trecho seu que mais me deu esperança até hoje.
Eu perdi o ânimo e perco a leveza na respiração nos fins de noite.
Eu perdi a esperança.
Eu perdi o contato freqüente com você.
Eu perdi o controle do meu corpo dois dias atrás.
Perdi muitas brisas, que agora sopram em sentido contrário.

Posso ter perdido a sua segurança perto de mim
Posso ter perdido a minha segurança perto de você.
Posso ter perdido a minha reputação de louco inconseqüente e altruísta.
Não posso mais dizer que nunca me preocupei antes com você do que comigo.

Quando o sonho morreu, me restou o amor.
Abençoada seja Vênus, de todas as graças.
Então só me resta isso, e eu devo voltar só pro meu jardim
Pequeno esconderijo entre as ondas, aonde estaríamos aquecidos sob a tempestade?

Vou lá fora reverenciar Vênus

Daqui a pouco o dia raia, sol sobre no mesmo ponto de 365 dias atrás, e então, só ela poderá me ver.
Porque estava ela, alta, como se não fosse nada. Ela comemora anos bem mais freqüentemente que nós.
Porque ela merece, e eu devo merecer todo o meu amor.
Sou breve agora, porque se não já vem aurora.
Bom dia!