Já é tempo de chuva.



Afinal, já é primavera.
Hoje veio com ares do passado. Ares de chuva sobre pedra, cheiro de terra molhada. Hoje me trouxe lembranças de quando Teresópolis ainda era toda enfeitada com aquelas pedrinhas no lugar de asfalto. Quando aqui eu vivia o frio. Quando aqui eu vivia a minha infância verdadeira, sentado em escadas ou brincando perto de árvores cheias.
Hoje choveu. Incessantemente. Por força de sorte, eu não estava com o guarda chuva que nunca esqueço em casa. Mas hoje havia esquecido. Hoje, bendita chuva, bendita cortina dágua e vapor rodeando e balançando árvores e postes. Muito bom ter esquecido o guarda chuva.
De outra forma não sentido a água gelar meu rosto, meus braços. Tirei os óculos para deixar a água lavar minha fronte. Eu pude fechar os olhos a maior parte do tempo. Minhas pernas me levaram, conheciam o caminho. Caminho que hei de trilhar outras vezes de olhos fechados. Benditas pernas que não me deixam cair mesmo de olhos fechados sob a chuva. E era como se a chuva não as instigasse, só caísse sobre meus braços e face. Meu rosto e cabelo pingando, minha roupa quase seca.
Agora entra um vento frio, enquanto a chuva ainda lava as pedras que não foram cobridas por asfalto. As nuvens me tiraram a ilusão de ter com Vênus pela manhã, mas me trouxeram de volta o frio que eu clamava. E me lembraram que eu ainda hei de viver o frio, ainda hei de pegar chuvas no rosto, e que enquanto o sertão não virar mar, eu voltarei a Teresópolis.


Quartos de hotel são iguais
Dias são iguais
Os aviões são iguais
Meninas iguais
Não há muito o que falar sobre o dia
Não há do que reclamar
Tudo caminha
E as horas passam devagar
Num ônibus de linha
Passos no corredor, alguém se aproxima
E uma voz estranha diz: "Bom Dia"

Posso pedir os jornais
Pedir o jantar
Ligar pra tantos ramais
Ninguém pra falar
Sobre o vermelho que abre este dia
Tudo está no lugar em que não devia
O mundo sai pra trabalhar
Enquanto eu abro a água fria
Um estranho no espelho
Eu quase nem me conhecia
E uma voz estranha diz:
"Bom Dia!"

Here comes the sun
Here comes the sun
I say i'ts alright
i'ts alright

Impressões mais profundas

É espantoso.
Pela primeira vez, eu posto algo que eu realmente acho necessário.
E justo agora que eu hesito. Talvez porque não esteja acostumado a simplesmente publicar as minhas impressões mais profundas. Era justo esse, o assunto do post. Minhas impressões mais profundas. Aquelas que vêm de filmes realmente bons, de músicas realmente boas, e de textos realmente bons.
Não necessariamente bons em aspectos menos irracionais, como sucesso de vendas. Bons em despertar ...(Despertar? Porquê despertar? Há de haver o despertar de muitos sentimentos que eu nunca senti antes. Eles realmente só foram descansar, e então voltam, depois? Será essa a maior prova da existência de vida antes da vida, e, creio eu, conseqüentemente, vida após a morte? )... despertar sensações incríveis. Daquelas que arrepiam, literalmente. Melhores ainda aquelas que não se sente completamente, e lembram o oceano, quando as montanhas te fazem um pequeno desvão para vê-los. São as que dão vontade de já ter vivido realmente ela, ou ainda de estar vivendo no momento. Então se espreme os olhos, mesmo que a origem seja visual, fecham-se os olhos, e se inspira lento e profundo, e depois se esquece de expirar por um tempo. Talvez pra não deixar o sentimento escapar: nem pelos olhos, nem pela respiração.
Mas ele escapa. Se esconde entre os outros sentimentos e sentidos e sai à francesa. E no final, nem deu tempo de oferecer um cafézinho.
E no final desse post, eu nem falei sobre o que pensei em falar no início.
Pelo menos eu falei sem precisar pensar.

Uma ode ao nosso sacrifício

Algo me levou a pensar que cada momento bom da minha vida é devidamente compensado.
E, sem titubear, pensei: Vale a pena.
Isso é uma visão um bocado pessimista, provavelmente irreal. Mas é uma boa reflexão. Realmente Pagaríamos o preço pela nossa felicidade?
Eu não tenho dúvida. Me submeteria ao que fosse necessário.
Como será o meu martírio pela felicidade?

Sol de Bronze

E alto no céu, o sol de bronze. Vem como castigo para todos que se omitiram enquanto um resquício de matas jovens era destruído pelo fogo humano.
O único luto que se vê é o das calçadas cobertas pelas cinzas trazidas pelo vento. As calçadas sentem o calor do sol de cobre e das nuvens cinzas de fumaça. Sentem falta do frio do inverno. Agora, só chovem cinzas.
Que o Sol e a Terra nos perdoem, sempre há momento pra redenção. Que não seja tarde de mais.

As Botas de Duzentas Léguas

Ventos do campo trazem boas novas.
Companheiros de longa data tomam estrada.
Vêm festejar conosco a distância que nos torna mais próximos. Como diz Brás Cubas, nada como a felicidade barata do retirar de botas apertadas.