Me deu vontade de dizer

Escrevo-te por aqui porque provei diferença que faz um ambiente de fundo, as letrinhas cinza claro, o título em azul itálico e imagens pela página.
Escrevo-te porque o meu menor tempo no msn tem reduzido muito as chances de te encontrar online. Isso traz uma espécie de saudade, mas que é tão agradável quanto aquela que nos remete à infância. Lendo teus textos e escutando a tua música - Porque ela é mais tua que qualquer outra música pode ser de alguém que o autor desconheça, e eu não digo isso por dizer - notei que não seria digno escrever-te em 1024 caracteres com um fundo azul enjoativo, não passaria a impressão certa.
Porque, depois de reler aquilo ouvindo a tua música, simplesmente tudo que eu pudesse sentir parecia menor. Me deu vontade de dizer de novo que podes contar comigo, sempre que precisares ou quiseres, e de não dizer isso como um conselho, mas como um pedido.
Porque, se diz que eu sou excessão, porque entendo, deves saber o quanto sou digno da tua confiaça. Deves saber isso, quando te reconheço em cada uma daquelas pequenas palavras da tua música. Porque, realmente eu entendo, mesmo estando nessa posição.
Aliás, isso é muito não convencional. Eu deveria ser o último a entender, como as outras pessoas não? Como há outras pessoas que neguem-te a imagem que mereces, como me dizem que não é como eu penso?
Inconsientemente, eu abandonei a lógica. Não me importava mais se tudo indicava eu não estar certo. É verdade quando digo que você foi impressidível pra eu "voltar" a notar as coisas menos óbvias. Porque a única conclusão lógica a se chegar é que você realmente não existe, e que eu sou um louco, e todos estão certos, essa imagem não existe.
Talvez fosse só mais um reflexo nos meus óculos,e eles se confudem com brilhos ofuscantes ou estrelas cadentes.
Dá muita raiva quando se pensa demais, e se descobre que eram mesmo só brilho nos óculos.
Será?



Bom, não parece fazer diferença pra você, essa possibilidade.

A Lua crescente a quinze graus e seus efeitos colaterais

Me sinto como uma peça de material fosforescente, que acaba de receber muita luz.
O toque lua crescente me trouxe de volta uma espécie de barramento, uma superfície de contato maior com as coisas bonitas. Mais toque. Até a respiração parece estar mais rica.
Muito bom a ver sobre um lago, e cortada por folhas de várias árvores acima. Então decidi que andaria um pouco, pra a ver inteira. E ela me aparece ao lado da minha árvore favorita, e expulsa uma nuvem quando pouso a retina sobre ela. Grande, forte e baixa, chegou a ser ofuscante.
A lua sempre me fez olhar o céu, desde pequeno. Antes de conseguir falar os "R" palativos, eu havia inventado uma música pra ela. É provável que tenha demorado a prestar atenção nas estrelas por culpa dela, e do meu caráter que concentra mais atenção em um único interesse do que em vários menores.
Mais tarde, ela me ensinou a valorizar cada pêlo erguido, cada sensação de falso frio. Me ensinou a fechar os olhos, cerrar os punhos vazios, encolher os ombros e juntar os braços. Tudo espera até que termine, segura-se a expiração, o pensamento. Porque só então podemos dizer "This moment is etenity."

I'll bleed forever

Então, vem o veneno.
Do lugar que menos se esperava, do poço da água mais límpida e pura. Desce como gelo, porém mais frio, e não degela nunca. Me dá vontade de nunca ter bebido de lá, me dá vontade de me jogar na água mais gelada, e ver se pára. E quase se entende como é possível cortar o próprio peito com uma faca.
Da água comum, não viria isso. Nunca. Não tão forte.
E agora, vale mesmo a pena, a felicidade, o prazer instantâneo? Agora é hora do martírio prematuro.

Dentre tantas damas

Tão vasto é o cosmo, tão permeado de mistérios e maravilhas.
Na turbilhante grandeza do espaço, o tempo pode ser facilmente esquecido...
Mas mesmo que se passe dias, meses, anos ou séculos não me esqueço da sua inebriante beleza, fulgurante como o brilho de um meteoro que viaja dentre as estrelas.
Em um súbito clarão atordoante de luz, eu posso ver você...
Senti-la ao meu lado, um manancial de ousadia, chamas e deleite.
Tão jovem, tão adorável, transbordante de fugaz e incomparável formosura.
Ao seu lado o meu amor flue, revolvendo-se como a uma estrela na noite...
Tão cheio de vida, que é impossível capturá-lo, contê-lo sem ao menos senti-lo ou vê-lo brilhar.
Dentre tantas damas que conheci... jamais encontrei mulher tão linda na forma...
E tão adorável de espírito.
Quando tenho você só pra mim, sei que há muitos milagres no universo...
Mas por este tênue instante, na eternidade do espaço...
Posso sentir o amor, com sua força inesgotável a percorrer as minhas veias...
Revolvendo todo o meu ser...
E meu coração com os seus batimentos descompassados e incansáveis...
Ditam em um ritmo frenético...
Seu nome.

-Marcio Andrey

Ode sobre uma grega

As melodias ouvidas são doces; mas as não ouvidas
São ainda mais; portanto, suaves flautas, continuem tocando;
Não para o ouvido dos sentidos, porém, mais gratas,
Toquem para o espírito cantigas sem som;
Belo jovem, sob as árvores, tu não podes abandonar
Teu cnato, e nem essas árvores podem jamais desnudar-se;
Ousado amante, jamais, jamais podes beijar;
Embora te aproximes da meta - no entanto, não te lamentas;
Ela não pode fenecer, embora não tenhas tua satisfação,
Para sempre a amarás, e ela será bela!

-John Keats