Só pra deixar isso tudo mais meu


E só pra lembrar:
"Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…"

Janela sobre o amor

Antes da existência dos homens, e antes do tempo ser tempo e palavra dos homens, haviam seres muito parecidos, mas com uma diferença fundamental: Eles nunca atacavam uns aos outros. Sempre agiam juntos, e raramente deixavam alguém pra trás. Sequer precisavam de nomes, tanto pra eles quanto pras coisas a sua volta. Também é dito, em alguns livros antigos, que viviam pra sempre. Com isso unido a inteligência que seus descendentes conservaram, prosperavam e se desenvolviam rapidamente.

Um dia num fim de tarde apareceu uma estrela, e lhes ensinou o amor.

Ventos sussurraram em seus ouvidos as palavras de cortesia.
Por um momento, ficaram ainda mais unidos.
Logo as palavras doces perderam o valor. Então eles aprenderam outras formas de demonstar o amor.

Parecia que só agora o mundo deles estava completo. Talvez fosse verdade. Porém, eles nunca haviam sentido dor. As dores da perda, da traição e da inveja.

Ventos sussurraram em seus ouvidos as palavras de agressão.
Então não mais estavam pra sempre unidos.
As palavras hostis perderam o valor. Por isso, alguém pegou das ferramentas de caça e investiu contra a fonte da sua dor.


Então tudo ruiu.

Mesmo assim,
Até hoje a estrela brilha no céu, às vezes pelo crepúsculo, às vezes pela aurora.
Até hoje os ventos da manhã e da tarde nos acariciam com cortesia.
Até hoje os ventos da noite nos são hostis.
Até hoje os homens matam e amam.

Sobre os astros mais brilhantes do céu

"If the Sun refuse to shine
I would still be loving you"

But if Venus and the Moon didn't rose...
I do not know for certain

Shooting white pixel


Então, o lindo traço azul-branco-claro riscou o céu.

Mas não era o céu, de verdade.
Ele olhava pra uma projeção do céu sem nenhuma nuvem, com legendas das constelações e informações sobre Marte e Gêmeos no canto.

Mas o reflexo foi o mesmo.
Sabia que a probabilidade também era.
O vento também. Só um pouco menos intenso.
O desejo foi óbvio.
É óbvio.


Logo depois ele se sentiu meio idiota.
Em seguida, de idiota passou pra um imperfeito muito bonito, puro, quase inocente.
E continuou brincando no céu de pixels.

Um dia acordarás


"Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,

A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar - apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…"
M. Q.

How insensitive...?

Tom Jobim e Norman Gimbel tentando me convencer disso.
How insensitive i must have seen...
Hum, será? Pode ser. Posso não ter tido tato. Posso ter avançado sobre um buraco, ou no mínimo uma poça. Posso não ter feito como deveria.

Raios, insensível é não se sentir bem.

Isso foi um ótimo argumento.
Espero que continue sendo.
Mas vai continuar sendo, sim. Ou muito pouco do que eu acredito é verdade.
Verdade. Incrível, toda hora me deparo com essa palavra. Verdade.
Qual a diferença? Verdade...? Veritas ...!
Não é nada! Está tudo igualmente submetido ao nosso cérebro. Que importa?
Verdade... A maior ilusão do ser humano.

Às vezes me dá vontade de que só existisse a verdade.

Nossa, eu sou incrívelmente contraditório. Não, na revisão eu apago esse fim medíocre de questionamento da existência da verdade.
Se eu realmente fizer uma revisão... Não sobrará quase nada a ser publicado.
Acho que isso é bom. Me prova que Tom Jobim não está certo, me prova que eu não descarto a maioria das coisas que me são possíveis sentir. É. Ou melhor, não é, não sou, I haven't seemed insensitive.
Bom, pelo menos agora eu termino com o mesmo tema.

Estudos sobre o amor em si menor

Quando um pouco menor, eu já me perguntava se eu realmente conheceria, não parecia nem um pouco fácil. Mas acho que essa pergunta já é um sintoma positivo.
Deve ter ficado claro, mas eu vou explicar mesmo assim: Não falo de qualquer faceta de amor. Falo daquele amor simples, complexo, sutil e definido. Falo daquilo que eu duvido que aconteça entre pessoas do mesmo sexo. Falo daquilo que não vai além do amor maternal, não obstante o transcende.
Especulo, pelos meus parcos 16 anos, que essa seja uma convergência planetária. Ou um pouco menos ambicioso - racial. Porque todos os seres humanos, ou talvez ao menos aqueles que alcançam tal ponto de "entendimento" devem ser capazes de sentir tal ... coisa tão difícil de verbalizar.
Não suficiente minha audácia anterior, me proponho a mais uma. Fazer aquilo que alguns consideram reservado aos poetas e artistas - (in)definir o amor. Saibam que não me incluo em nenhum dos 3 grupos citados no período anterior. Sou só um caçador de palavras, o mérito não é meu se às vezes elas se deixam ser pegas tão facilmente.
Alguns dizem o acompanhar dor, sofrimento. Não concordo nem um pouco, mas reparo uma relação: quando se sente uma dor muito intensa, a um ponto que parece maior que sua capacidade, se tem a impressão que ela nunca vai acabar. O mesmo se aplica ao amor, que, quando se trata do amor transcendente que esse texto trata, sempre parece que sobrecarrega o cérebro humano. Também, sempre que se sente uma dor tão forte como nunca se sentiu antes, digna de contos horripilantes, não se acredita que vai acontecer outra vez. No amor, esses contos horripilantes são um pouco mais agradáveis.
Minha cabeça cede à dor tênue sobre meus olhos, e eu deixo isso inacabado, pra, quem sabe, terminar depois - o que é muito improvável. Vou lá fora ver se me curo com a luz tênue da lua.

Sobre o merecido descanço para a face.

Ando cansado de sorrir. De apertar os olhos, e respirar mais fundo. De carregar um par de óculos sobre o nariz. De me esforçar pra expressar o inexprimível.
Meu rosto merece um descanço. Merece um último sorriso, antes disso. Daqueles verdadeiros, sorridos com meio rosto. Merece dizer umas palavras bonitas, e ter uma recompensa. Merece repousar no teu ombro, ou descançar em teu colo.

Sobre a grandeza dos sentimentos.

Um dia desses me disseram que não se pode medi-los, e que não há fração deles.
Ora, se os homens conseguem medir a distância das mais longínquas estrelas, eles podem medir meu amor.
Me perguntariam, então qual seria a medida. Sem titubear, responderia: múltiplos da velocidade da luz ou anos-luz por segundo, claro.